Estado americano da Virgínia põe fim à pena de morte; é o 23º dos EUA a abolir a prática

Decisão havia sido aprovada no início do ano pelo Legislativo local e aguardava a sanção do governador. Sala de execução nos EUA em foto sem data Paul Buck/AFP O governador da Virgínia, nos Estados Unidos, assinou nesta quarta-feira (24) a lei que põe fim à aplicação da pena de morte em presídios estaduais do seu território. A decisão já havia sido aprovada no início do ano pelo Legislativo local e aguardava a sanção do governador, o democrata Ralph Northam. Suprema Corte analisará anulação da pena de morte para terrorista da Maratona de Boston; entenda como caso pode virar teste para Biden Com isso, o estado que já foi o segundo com mais execuções na história dos EUA se tornou o 23º no país a abolir a pena capital. “Não há lugar hoje para a pena de morte nesta comunidade, no Sul ou nesta nação”, disse Northam antes da cerimônia de assinatura da lei. Northam afirmou que a pena de morte afetou, de maneira desproporcional, a população negra do país por conta de um "sistema judicial falho". Desde 1973, mais de 170 pessoas – a maioria negra – foram libertadas do corredor da morte depois que provas de sua inocência foram descobertas. 2º com mais execuções O estado da Virgínia executou cerca de 1,4 mil pessoas desde a época em que era uma colônia britânica, segundo estimou a organização Death Penalty Information Center. Mais recentemente, o estado ficava apenas atrás do Texas em número de execuções desde a instauração da volta desta prática pela Suprema Corte em 1976. Atualmente, dois homens ainda aguardavam na fila do corredor da morte: Anthony Juniper, que assassinou sua namorada, enteados e o irmão dela em 2004 Thomas Porter, que matou um policial em 2005 Com o fim da punição capital, as penas deles foram automaticamente convertidas em prisão perpétua sem qualquer chance da aplicação de liberdade condicional. Execuções estaduais Nos EUA existem leis federais e estaduais prevendo a pena capital. São condenados à morte aqueles que mataram, mas cada um dos estados tem seus próprios critérios. Geralmente estão vinculados a assassinatos violentos, de crianças ou de policiais. Atos terroristas que resultam em morte também podem ser condenados à pena máxima. Há ao menos 30 normas diferentes para a pena capital no país: são 27 leis estaduais – uma para cada estado que autoriza esse tipo de pena uma segundo a qual o governo federal tem o poder de intervir e executar prisioneiros em qualquer um dos 50 estados e uma do tribunal militar que pode sentenciar e executar seus condenados Moratória da pena de morte Além dos 23 estados onde a prática da pena de morte foi abolida, mais três estados americanos têm uma legislação sobre a pena de morte, mas não a aplicam. Isso acontece porque seus governadores aderiram à resolução da Organização das Nações Unidas conhecida como a Moratória da ONU para Pena da Morte. É o caso da Califórnia, Oregon e Pensilvânia – em todos os três a prática é legal, mas não é concluída e os condenados ficam no corredor da morte por anos sem a efetivação da pena.

Estado americano da Virgínia põe fim à pena de morte; é o 23º dos EUA a abolir a prática

Decisão havia sido aprovada no início do ano pelo Legislativo local e aguardava a sanção do governador. Sala de execução nos EUA em foto sem data Paul Buck/AFP O governador da Virgínia, nos Estados Unidos, assinou nesta quarta-feira (24) a lei que põe fim à aplicação da pena de morte em presídios estaduais do seu território. A decisão já havia sido aprovada no início do ano pelo Legislativo local e aguardava a sanção do governador, o democrata Ralph Northam. Suprema Corte analisará anulação da pena de morte para terrorista da Maratona de Boston; entenda como caso pode virar teste para Biden Com isso, o estado que já foi o segundo com mais execuções na história dos EUA se tornou o 23º no país a abolir a pena capital. “Não há lugar hoje para a pena de morte nesta comunidade, no Sul ou nesta nação”, disse Northam antes da cerimônia de assinatura da lei. Northam afirmou que a pena de morte afetou, de maneira desproporcional, a população negra do país por conta de um "sistema judicial falho". Desde 1973, mais de 170 pessoas – a maioria negra – foram libertadas do corredor da morte depois que provas de sua inocência foram descobertas. 2º com mais execuções O estado da Virgínia executou cerca de 1,4 mil pessoas desde a época em que era uma colônia britânica, segundo estimou a organização Death Penalty Information Center. Mais recentemente, o estado ficava apenas atrás do Texas em número de execuções desde a instauração da volta desta prática pela Suprema Corte em 1976. Atualmente, dois homens ainda aguardavam na fila do corredor da morte: Anthony Juniper, que assassinou sua namorada, enteados e o irmão dela em 2004 Thomas Porter, que matou um policial em 2005 Com o fim da punição capital, as penas deles foram automaticamente convertidas em prisão perpétua sem qualquer chance da aplicação de liberdade condicional. Execuções estaduais Nos EUA existem leis federais e estaduais prevendo a pena capital. São condenados à morte aqueles que mataram, mas cada um dos estados tem seus próprios critérios. Geralmente estão vinculados a assassinatos violentos, de crianças ou de policiais. Atos terroristas que resultam em morte também podem ser condenados à pena máxima. Há ao menos 30 normas diferentes para a pena capital no país: são 27 leis estaduais – uma para cada estado que autoriza esse tipo de pena uma segundo a qual o governo federal tem o poder de intervir e executar prisioneiros em qualquer um dos 50 estados e uma do tribunal militar que pode sentenciar e executar seus condenados Moratória da pena de morte Além dos 23 estados onde a prática da pena de morte foi abolida, mais três estados americanos têm uma legislação sobre a pena de morte, mas não a aplicam. Isso acontece porque seus governadores aderiram à resolução da Organização das Nações Unidas conhecida como a Moratória da ONU para Pena da Morte. É o caso da Califórnia, Oregon e Pensilvânia – em todos os três a prática é legal, mas não é concluída e os condenados ficam no corredor da morte por anos sem a efetivação da pena.